O tricô/crochê existe há muito tempo. Faz cama, mesa e banho de muita gente, está em alta, e possibilita que pessoas de todas as idades tenham acesso a esse mundo de cores e sensações.

Em nossa sociedade, as pessoas mais velhas, principalmente as mulheres, são reconhecidas nesse ‘papel’. Mas, apesar de se tornar um estereótipo, é verdadeiro o fato de que muitas delas gostam de desenvolver esse trabalho manual para demonstrar seu afeto pelo outro, ou simplesmente para se sentirem produtivas.

Cada minuto dessa atividade é um momento para tecer as próprias emoções, conhecer a si mesma, sentindo prazer e reelaborar sentimentos, seja quando realizada em grupo ou individualmente.

Ao trabalhar as emoções, esse momento propicia a troca de experiências, desenvolvimento do afeto, sentimento de pertencimento. Tudo isso consolida os vínculos, aprimora as emoções, fortalece o cérebro, estimula a concentração, auxilia no equilíbrio, e propicia que algumas doenças sejam evitadas ou se manifestem mais tardiamente.

Quando você cuida da mente, realizando atividades agradáveis, e que despertam o bem estar, automaticamente está cuidando do corpo. Durante a confecção do tricô é possível acalmar o ânimo, pensar na vida e nas escolhas, refletir sobre as possibilidades, avaliar como melhorar o desempenho, ou consolidar potencialidades.

Assim como o tecer da lã naquele início de trabalho, quando são apenas correntinhas e ainda não dá para saber o que é, nossa psique também passa por transformações. Mas são essas ‘simples correntinhas’ que irão possibilitar que o trabalho seja firme e outros pontos possam vir. Com o tempo, as formas aparecem, e já é possível nomear aquela peça… Dessa correntinha, onde os pensamentos vagam, é possível apreender algum sentimento que está ‘mais forte’ naquele momento e, ao focar nele, outros mais se revelam.

Todo investimento feito neste trabalho pode parecer mecânico, mas enquanto os pontos são feitos com todo cuidado, a mente cria conexões e ocorre um resgate das memórias e sentimentos. Ao olhar ou tocar a peça finalizada, tudo o que sentiu durante a confecção retorna e, novamente, você entrará em contato com as próprias emoções, sempre num movimento de reelaboração.

Em tempos de pandemia, essa é uma atividade que pode facilitar a experiência de ficar só. Que tal criar algumas peças e se divertir durante o processo?

Fonte:   Michelle Perez Alves Xavier, Psicóloga – CRP 06/129104

(JA, Fev21)