Falar em pessoas e suas expectativas, em muitos casos, é também falar de ansiedade. Em tempos de pandemia então…, mas, afinal de contas, o que é ansiedade?

A ansiedade pode ser considerada uma reação normal, que se manifesta em momentos ameaçadores, e de forma pontual. Mas, existe também sua forma patológica, que pode ser percebida quando sentimos falta de ar, tremores, taquicardias, preocupação excessiva, medo de morrer, mãos frias e suadouro.

É um sentimento que anula o agora, e a sensação é de que, no futuro, tudo vai acontecer! Aqui começam as comparações e a vontade de resolver o que nem aconteceu, e que talvez nem aconteça.

Promove também um sentimento de desamparo diante dos acontecimentos, medo de não dar conta do que está por vir, pensamentos negativos em relação ao futuro, sentimento de impotência, pensamentos recorrentes que não o deixam em paz – e por mais que você tente focar em outras coisas, o pensamento volta e a ansiedade aumenta – ‘aperto no peito’, confusão em relação aos próprios objetivos, sensação de que o outro é sempre melhor do que você etc.

E, se se tratar de pessoas idosas, o sentimento de impotência e inadequação provoca questionamentos como:

  • Quem vai cuidar de mim?
  • Minha família não me ama mais?
  • Só porque envelheci não tenho mais importância?
  • Será que meus filhos não me querem mais por perto?
  • Será que eles tem vergonha de mim?
  • É melhor viver numa casa de repouso?
  • E se eu não me der bem com os moradores de lá?
  • Será que vão me tratar bem?

Essas e muitas outras questões podem aumentar o sentimento de ansiedade, fazendo com que a pessoa perca o chão, desvalide as próprias experiências, e se perceba como incapaz de avaliar e lidar com os problemas, alimentando ainda mais a ansiedade, e desencadeando sintomas prejudiciais, tanto física quanto psicologicamente.

O importante é perceber se esse sentimento está causando sofrimento ou paralisando sua vida e, se necessário, procurar ajuda. Só o fato de conseguir reconhecer que está passando por isso, já é um passo em direção ao autoconhecimento e, consequentemente, a uma melhor estratégia para lidar com a situação.

Mas quais os caminhos?

Para começar, é importante se acalmar – fazer um exercício de respiração, ou conversar com alguém de sua confiança, por exemplo. Depois, tente organizar seus pensamentos, imaginando o cenário da forma mais realística possível, evitando fantasiar com soluções ou fórmulas mágicas. ‘Ter os pés no chão’ diminui a sensação de impotência, pois você trabalhará com a realidade

Dicas para ajudar a controlar os níveis de ansiedade:

  • Reconhecer os próprios limites – entender que você não dará conta de tudo, perceber como a pandemia afetou sua rotina, e o que tem lhe causado estresse e ansiedade, e aceitar que não poderá fazer tudo sozinha(o). Dessa forma, a cobrança por melhores resultados e a comparação com terceiros diminui, aumentando assim seu bem-estar.
  • Tirar um tempo para relaxar – isso significa fazer algo que seja realmente prazeroso, não ter a necessidade de produção, e se permitir ser quem é, zelando pela própria saúde mental.

Se a ansiedade estiver muito intensa, ficará mais difícil ter essa percepção. Nesse caso o recomendável é fazer psicoterapia, e olhar para suas emoções.

Aprender a identificar e nomear sentimentos, e colocar limites para os outros e para si mesma(o), mudará sua percepção de vida.

Imagem em destaque: ‘At Eternity’s Gate’, Vicent Van Gogh, 1853-1890

Fonte: Michelle Perez Alves Xavier, Psicóloga – CRP: 06/129104

 

(JA, Out21)