Pesquisa foi feita com mais de dois mil idosos nos Estados Unidos

Pessoas que dormiram menos de cinco horas por noite tiveram maior risco de demência, e até de morte prematura, conforme mostra uma nova pesquisa publicada na revista científica Aging.

Embora a relação possa parecer alarmante, o geriatra Natan Chehter, membro da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia e do Hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo, reforça que a pesquisa não mostra causalidade

‘Esse estudo não é de causa e efeito, mas de relação. Ele pega dados e vê se tem uma porcentagem de pessoas que desenvolveram a doença que estuda, mas não pode afirmar que a falta de sono causa a demência’, diz.

‘Em uma explicação leiga, é parecido com dizer que pessoas que andam com isqueiro no bolso são mais propensas a ter câncer de pulmão — no caso, tem um fator oculto aí, que é o cigarro’.

De acordo com o médico, após descobrir a relação, os pesquisadores podem focar para desenhar estudos que busquem comprovar — ou não — a ligação entre falta de sono e demência.

Como o estudo foi feito

  • Para chegar aos resultados, os pesquisadores acessaram questionários respondidos por 2610 pessoas com mais de 65 anos que fizeram parte do levantamento do National Health and Aging Trends Study entre 2013 e 2014 nos Estados Unidos.
  • Os médicos do Brigham and Women’s Hospital, em Boston, nos Estados Unidos, analisaram as respostas dos entrevistados às perguntas relacionadas à perturbação e deficiência do sono.
  • Eles examinaram como os participantes avaliaram seu nível de energia, frequência de cochilos, quanto tempo demoraram para adormecer, se roncaram e a duração e a qualidade do sono.
  • A equipe seguiu coletando dados dos participantes por até cinco anos, com o intuito de observar desfechos de demência e morte.

Resultados

Os pesquisadores indicam, a partir do acompanhamento dos participantes entrevistados, que há uma ligação entre os problemas de sono e quanto tempo alguém leva para adormecer, e o maior risco de demência.

Cochilar com frequência, lutar para ficar alerta, e dormir mal à noite, também estiveram relacionados a um risco maior de morte.

De acordo com os pesquisadores, cada vez mais estudos mostram que os problemas de sono estão relacionados à saúde do cérebro. Antes se acreditava que não conseguir dormir era apenas um sintoma de pessoas diagnosticadas com Alzheimer (a forma mais comum de demência).

‘Esses dados aumentam a evidência de que o sono é importante para a saúde do cérebro, e destacam a necessidade de mais pesquisas sobre a eficácia de melhorar o sono, e tratar distúrbios do sono, para redução do risco de demência e mortalidade’, afirmou Charles Czeisler, um dos autores do estudo.

Idosos têm sono mais leve naturalmente

Conforme aponta Chehter, pela própria dinâmica do sono do idoso, esse grupo de pessoas já tem uma pior qualidade de sono.

‘Isso é inclusive constatado em idosos saudáveis, é algo que vem com o envelhecimento. Com o passar os anos, o sono se torna mais superficial, o que pode ter como resultado acordar mais vezes durante à noite, e ter dificuldade para voltar a dormir. Além disso, há doenças que são mais comum em idosos, como apneia do sono, e síndrome de pernas inquietas’, explica.

Fonte:  Giulia Granchi, VivaBem  |  FSP

(JA, Fev21)