No seminário ‘Century Summit’, evento on-line da Universidade de Stanford que terminou na semana passada, o assunto foi ‘o novo mapa da vida’, uma proposta criada pelo Centro de Longevidade da instituição, para repensarmos o que fazer com nossa existência estendida em três décadas.

Sasha Johfre, do Centro de Longevidade da Universidade de Stanford

Sasha Johfre, pesquisadora que trabalha no projeto, foi precisa ao afirmar que faltam roteiros de vida para quem já passou dos 60: ‘trata-se de uma questão cultural muito forte. É como se todos nós ainda vivêssemos somente até 50 ou 60 anos e nada mais pudesse acontecer depois’. Ainda dentro de padrões culturais fortemente arraigados, ela abordou a ênfase que damos à idade cronológica: ‘essa é outra construção poderosa que determina a vida das pessoas, inclusive quando elas devem se aposentar e sair do mercado de trabalho’.

A análise de Sasha foi corroborada por Abby Miller-Levy, cofundadora da Primetime Partners, um fundo de investimentos para produtos e serviços para o público sênior: ‘justamente porque ainda são escassos os modelos de idosos independentes, apenas 10% do dinheiro que há no marketing está endereçados a este segmento.

No conceito de viver em casa até o fim da vida, o foco continua em idosos frágeis, quando deveria ser em soluções que garantam ou estendam a independência. Sem contar o universo dos serviços financeiros que possam auxiliar as pessoas a administrar seu dinheiro para viver com dignidade, uma questão que traz grande preocupação a quem tem mais de 60 anos’.

Abby Miller-Levy, cofundadora da Primetime Partners

Num outro debate, sobre educação, os especialistas discutiram a necessidade de reinventar as universidades, que hoje acabam perpetuando a desigualdade e, a longo prazo, comprometendo o futuro das gerações que viverão até os 90 ou 100 anos.

Ilana Horwitz, também pesquisadora de Stanford, deu como exemplo dois alunos que tenham ingressado no ensino superior: enquanto um completou o curso normalmente, ganhou um diploma e criou uma rede de contatos profissionais, o outro abandonou a faculdade depois de seis meses. ‘Esse jovem que se formou tem, em média, nove anos a mais de expectativa de vida do que o outro’, enfatizou.

Phil Regier, decano de iniciativas educacionais da Universidade Estadual do Arizona, que é pública e já ganhou inúmeros prêmios de inovação, foi incisivo: ‘nada é mais importante do que o comprometimento com mudanças sociais em escala. Temos que sair da política de exclusão e investir na de acesso’.

Em sua gestão, o número de alunos que estudam on-line saltou de 400 para 63 mil. ‘Nossa obrigação é tornar essas pessoas bem-sucedidas. Muitas têm mais de um emprego, pegam transporte público, e precisam de apoio. Se não houver inclusão, continuaremos alimentando o fosso da desigualdade. É um enorme desperdício de capital humano’, cravou.

Fonte: Mariza Tavares, Jornalista, mestre em comunicação pela UFRJ e professora da PUC-RIO   |   G1 Globo

 

(JA, Dez20)