O percentual de pessoas com mais de 60 anos no Brasil navegando na internet cresceu de 68%, em 2018, para 97%, em 2021. É o que mostra pesquisa realizada pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), em parceria com a Offer Wise Pesquisas. Universidade americana também detectou aumento da procura por formação por pessoas na terceira idade.

A pandemia está estimulando mais pessoas acima dos 65 anos de idade a buscar o ensino via internet, como uma opção para aproveitar o tempo. A pesquisa da CNDL, SPC Brasil e Offer Wise detectou que 94% dos idosos brasileiros relataram mudanças na vida cotidiana durante a pandemia, e estão mais conectados à internet que nunca. O percentual de idosos conectados à internet chegou a 97% em 2021, segundo a pesquisa.

Dados do Ministério da Educação já mostravam a maior tendência de matrículas em cursos superiores por idosos já em 2018, quando já havia um aumento de 40% de idosos matriculados em cursos superiores no Brasil. A Ambra University – universidade americana que ensina, há mais de 10 anos, em português e oferece cursos de mestrado totalmente via internet com diploma dos Estados Unidos, também detectou aumento da procura por brasileiros na terceira idade em 2020.

‘É muito comum que essa parcela da sociedade se beneficie das vantagens do ensino via internet, principalmente nesse momento. Também é, neste momento da vida, que, em geral, se tem maior clareza de como o estudo agrega, inclusive do ponto de vista existencial. Muitos de nossos alunos nesta faixa etária, já estão com carreira profissional e vidas estabilizadas, o que facilita a escolha. Eles enxergam no curso superior uma chance de se manterem conectados’, afirma Alfredo Freitas, Diretor de Educação e Tecnologia da Ambra University.

Longevidade ao Conhecimento

O relatório The World Population Prospects 2019, da Organização das Nações Unidas (ONU), confirma que a população está envelhecendo cada vez mais devido ao aumento da expectativa de vida, e à queda dos níveis de fertilidade. Segundo o documento, até 2050, uma em cada seis pessoas no mundo terá mais de 65 anos (16%), número acima de uma em cada 11 detectado em 2019 (9%).

Para Alfredo Freitas, o sistema educacional brasileiro, de modo geral, deve normalizar o ingresso de pessoas mais velhas. ‘Considerando o crescimento exponencial do ensino via internet no Brasil e no mundo, haverá cada vez menos barreiras para as pessoas na terceira idade iniciarem um curso superior, seja no Brasil seja no exterior. Precisamos terminar, de uma vez por todas, com o preconceito de que as pessoas na terceira idade não podem mais realizar nada’, afirma o educador que tem mais de 15 anos de experiência em educação e tecnologia.

Dados do IBGE, confirmam o envelhecimento da população brasileira. Os dados mostram que os idosos devem representar 25,5% da população brasileira até 2060. Outra pesquisa TIC Domicílios, do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.Br) mostram que em 2017, apenas 21% dos idosos diziam ter usado um computador e 32% dos idosos tinham usado internet no celular.

Para Alfredo Freitas, a pandemia acelerou a busca por ensino via internet. ‘Em dez anos, o crescimento dos ingressantes ensinos a distância foi de 226%, contra 19% da modalidade presencial, o número superou as expectativas para o ano 2020. Dados recentes mostram que já são quase 10 milhões de brasileiros matriculados no ensino a distância’, analisa Freitas.

Mais experientes, mais produtivos

Um estudo publicado no New England Journal of Medicine (NEJM) descobriu que, aos 60 anos de idade a pessoa atinge seu pico de potencial, que permanece até os 80. O estudo revelou que a idade mais produtiva na vida de um homem é de 60 a 70 anos. A segunda idade mais produtiva é de 70 a 80 anos. A terceira idade mais produtiva é de 50 a 60 anos.

‘Nos Estados Unidos, os números mostram que o período mais produtivo de uma pessoa é de 60 a 80 anos, o que deveria inspirar a sociedade a acreditar mais nas pessoas dessa faixa etária. No ensino superior elas já são bem-vindas, e contribuem muito já faz tempo’, pondera Alfredo Freitas.

 

Fonte: Alfredo Freitas é pós-graduado em ‘Project Management’ pela Sheridan College no Canadá, graduado em Engenharia de Controle e Automação e Mestre em Ciências, Automação e Sistemas, pela Universidade de Brasília. Tem mais de 15 anos de experiência em Tecnologia e Educação e, atualmente, é Diretor de Educação e Tecnologia da Ambra University, Florida.  | Marilia Fidelis, Onevox Press.

 

(JA, Ago21)