Calor piora casos de incontinência urinária

Altas temperaturas são um verdadeiro martírio para quem sofre com o problema

A incontinência urinária afeta 10 milhões de brasileiros, de acordo com a Sociedade Brasileira de Urologia, e é considerada um câncer social, pelos danos que causa à autoestima da pessoa.

Para o urologista Dr. Carlos Sacomani, membro da Sociedade Brasileira de Urologia, American Urological Association, European Association of Urology, e International Continence Society, a condição pode causar até depressão. ‘A pessoa não consegue ter convívio social, nem sexual. Acredita que está sempre cheirando urina, tem medo de sair de casa e passar por um sufoco. E essa situação pode sim causar uma depressão — porque ela acredita que aquilo não terá cura’, explica o doutor.

O calor torna mais difícil a vida de quem não consegue controlar a urina. Isso porque, com o consumo maior de água durante o período, torna-se mais recorrente a necessidade de ir ao banheiro. Outra questão é o cheiro forte, agravado pelas altas temperaturas, e as roupas usadas durante o verão. Como a estação quente exige roupas mais leves e claras, fica mais difícil esconder, em caso de alguma perda de urina.

Causas

Ao contrário da crença popular, a incontinência urinária não é uma consequência normal da idade, apesar do envelhecimento trazer alterações estruturais na bexiga e no trato urinário, que podem favorecer o aparecimento da condição.

O tipo mais comum é a Incontinência Urinária de Esforço (I.U.E.), caracterizada pela perda de urina ao rir, tossir, ou em qualquer movimento ou esforço. A I.U.E. atinge exclusivamente mulheres, e pode ocorrer por fraqueza do esfíncter e do assoalho pélvico, além de múltiplos partos, ou queda do hormônio feminino após a menopausa. Já nos homens, a incontinência urinária está relacionada a procedimentos cirúrgicos na próstata, que podem afetar o funcionamento do esfíncter.

Tem tratamento

Engana-se quem acredita que a condição não tem cura. Nas mulheres, nos casos mais simples, é possível fazer fisioterapia, ou usar radiofrequência para ativar a musculatura, entre outros tratamentos. Nos casos moderados a graves, há um procedimento cirúrgico para aplicação de slings, malhas que sustentam a uretra. ‘Nos pacientes mais complexos, como homens que perdem o funcionamento do esfíncter após a prostatectomia radical, é possível substituir o esfíncter com uma operação, utilizando um esfíncter artificial’, explica o especialista.

A prótese fica totalmente contida no corpo, e possui uma bombinha dentro do saco escrotal que permite ao homem liberar a urina quando tiver vontade. No restante do tempo, o esfíncter permanece fechado. A incontinência urinária grave atinge 10% dos pacientes com incontinência, que, sem tratamento, precisam recorrer às fraldas. ‘As terapias devolvem o conforto e autoestima do homem’, explica o urologista.

 

Fonte: Dr. Carlos Sacomani, urologista, membro da Sociedade Brasileira de Urologia, American Urological Association, European Association of Urology e International Continence Society | Agência No Ar, Gabriela Tunes

 

(JA, Fev21)