Terceira idade, melhor idade, madureza, idosos, velhinhos, meu véio, minha idosinha, vózinha querida, etc…, seja lá qual for o adjetivo usado para se referir a alguém com mais de 60 anos, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, eles serão maioria em 2030. E, até 2055, essa população será maior em relação às pessoas com até 29 anos.

Muito ainda há para se pensar e organizar, mas observamos que esse público está cada dia mais participativo na sociedade, ativo na internet e, por já terem muita experiência de vida, frequentemente nos presenteiam com valiosas contribuições, nessa e em todas as áreas em que conseguem atuar.

Falando em internet…  Seja para crianças, jovens, adultos ou idosos, a tecnologia exerce um importante papel na atualidade, principalmente devido à pandemia. Nesse sentido, a longevidade é nossa aliada, pois amplia o leque de possibilidades, unindo a criatividade dos jovens com a experiência dos idosos, por exemplo. Já parou para refletir sobre isso?

Ao lidar com a internet, suas múltiplas ferramentas e possibilidades de uso, as pessoas idosas colocam a vida em perspectiva, e veem as coisas de forma diferente. Isso é positivo, pois, muitas vezes, os idosos são considerados velhos – o que está diretamente ligado à ideia de inutilidade, falta de valor – e passam a crer nessas opiniões, se intimidando e, muitas vezes, desenvolvendo um quadro depressivo por sentirem insegurança e fantasiarem acreditando que não são mais queridos ou importantes.

Através da interação Homem & Máquina eles podem praticar o exercício fundamental para o desenvolvimento humano que é (re)pensar a vida, e os objetivos, o que favorece a expansão de uma mente saudável, e facilita o processo de resgate da autoestima, gerando um sentido de pertencimento que, muitas vezes, já foi perdido há algum tempo, resultando numa maior capacidade afetiva e de saúde psíquica.

O que acontece durante esse movimento, entre aprender a ligar o computador até chegar às vias de fato, quando eles participam ativamente da comunidade digital, é um trabalho psíquico onde o novo se impõe como algo a ser conhecido e vencido. Esse contato, e as trocas que passam a existir com familiares, amigos e até desconhecidos (amigos dos netos, amigos de amigos, pessoas interessantes, etc.), acabam por desbloquear emoções QUE, muitas vezes, não eram acessadas pois, por algum motivo, estavam ‘congeladas’.

Como resultado, vemos pessoas mais seguras e felizes, conversando pelo WhatsApp, participando de grupos e/ou comunidades no Facebook, encontrando hobbies, ou realizando sonhos antigos, criando perfis e, muitas vezes, atuando no mercado de trabalho através dessas ferramentas. Além disso, eles sentem que foram (re)inseridos na sociedade de forma produtiva e autêntica, e que não estão mais à margem.

Enfim, idosos conectados, participativos passam a compartilhar conosco seus conhecimentos, valorizando sua história de vida, interessados na construção de um mundo melhor para seus netos, e demonstrando a importância de suas experiências para aqueles que ‘acabaram de chegar’. Traduzindo em miúdos, são pessoas confiantes, bem resolvidas, e capazes de usar seus conhecimentos em prol da humanidade.

 

Fonte:  Michelle Perez Alves Xavier, Psicóloga – CRP: 06/129104

 

(JA, Dez20)