Além do ‘cringe’, um glossário de termos que definem gerações

Cringe

De repente, os Millennials (geração dos nascidos entre 1980 e 1995) descobriram que envelheceram. Em uma bem-humorada guerra geracional que tomou conta da internet brasileira, vários dos hábitos que eles consideravam descolados viraram ‘cringe’, uma definição que pegou emprestada uma palavra do inglês para associá-la ao que ficou ultrapassado, segundo a Geração Z – a dos nascidos entre 1995 e 2010.

Pouca coisa escapou a partir de um tuíte da publicitária Carol Rocha, a @tchulim: tomar café, rir em mensagens de celular usando rsrsrs ou kkkk, usar certos emojis, assistir a séries como ‘Friends’, ter saudade de pegar um VHS ou DVD na videolocadora, vestir calça skinny — aquelas bem apertadas — e, o mais grave de tudo, acessar o Facebook. São gostos e atitudes que se tornaram embaraçosos, apontam os mais jovens.

Os Millennials, até pouco tempo sinônimo de juventude, ficaram desnorteados. Muitos nem sequer sabiam o que era ‘cringe’, termo que originalmente é um verbo cujo significado é ‘ficar com vergonha’, ou ‘se encolher’, por considerar algo constrangedor. Nos EUA, a expressão começou a ser bastante usada nos anos 1990, em fóruns na internet, e ganhou força no início dos anos 2000, no Twitter — no princípio com um ‘y’ no final, o que a transforma em adjetivo.

Escrito ‘cringe’ mesmo no Brasil, o termo se junta a outras palavras estrangeiras incorporadas para definir grupos geracionais, como Millennial, Xennial, Alpha e a mais antiga de todas, Boomer. Abaixo segue o significado, a origem, e a evolução, dos termos que dão nome às várias gerações.

Boomers (1946 a 1964)

Depois do fim da Segunda Guerra Mundial em 1945, os EUA registraram uma súbita alta na taxa de nascimentos — um boom de bebês. O retorno de soldados que lutaram no conflito, e o clima de otimismo e prosperidade que tomou conta do país, resultaram em mais sexo, namoros, famílias, e… crianças, que representavam a nova geração de americanos.

O termo boomer, portanto, tinha em sua origem uma conotação positiva. Mas com o tempo, as gerações seguintes passaram a associá-lo ao que estava velho, ultrapassado. Os mais jovens representantes desse grupo estão hoje perto de completar 60 anos de idade.

Geração X (1965 a 1979)

As pessoas nascidas nesta geração ganharam uma definição própria porque foram as primeiras a crescer de maneira mais livre, sem supervisão dos pais durante boa parte do dia. Isso aconteceu porque, em meados da década de 1960, a maioria das mães americanas passou a trabalhar fora deixando de ser exclusivamente donas de casa.

A expressão foi criada pelo fotógrafo húngaro Robert Capa, fundador da agência Magnum. Capa se referia à geração nascida no pós-guerra, que para ele não tinha uma identidade definida (por isso o X). Mas o significado que prevaleceu tem a ver com a banda Generation X, criada em 1976 pelo roqueiro inglês Billy Idol e com o livro ‘Geração X: contos para uma cultura acelerada’, publicado em 1991 pelo escritor canadense Douglas Coupland. O livro mostra personagens desiludidos com o sonho de prosperidade do pós-guerra, e em busca de um propósito na vida.

Xennials (1975 a 1985)

São os nascidos entre o fim do período da geração X e os primeiros anos da geração millennial (ver definição abaixo) — daí o nome Xennial, que mistura os outros dois. O termo é recente: foi criado em 2014 pela jornalista e ensaísta americana Sarah Stankorb, que identificou ‘sutis diferenças’ no comportamento dos indivíduos do que ela chama de microgeração.

Os Xennials tiveram uma infância quase totalmente analógica, mas na juventude viram a ascensão do mundo digital com os primeiros computadores pessoais. Para a autora, essa transição os deixa confortáveis quando entram em contato com novas tecnologias, sem perderem a noção dos hábitos de vida, e códigos de comunicação da sociedade pré-internet. Em suma, os Xennials são uma espécie de elo perdido que antecederam os nativos digitais.

Millennials (1980 a 1995)

São a geração que viu o surgimento da internet, também chamada de Geração Y — pois veio depois da geração X. O termo millennial acabou sendo o mais adotado porque as pessoas mais velhas dessa geração iriam se tornar adultas na virada para o novo milênio, na passagem do século 20 para o 21.

Os ‘pais’ da expressão são o escritor e dramaturgo William Strauss, e o historiador e economista Neil Howe, ambos americanos. O termo apareceu primeiro no livro ‘Gerações’, de 1991, e se popularizou depois da publicação do livro ‘Geração do milênio em ascensão: a próxima grande geração’, em 2000. Segundo os autores, os Millennials eram responsáveis por mudar o significado de ser jovem, ‘de pessimistas e alienados, para otimistas e engajados’. Hoje em dia, eles não são exatamente tão jovens assim – há Millennials quarentões.

Zennials (1993 a 1998)

Seguindo a lógica da nomenclatura que gerou o termo Xennial, Zennial é toda pessoa meio Millennial, meio Geração Z (veja a definição a seguir). Pela mesma razão, também é usada a expressão Zillennial. É uma microgeração cuja identidade foi afetada pelo ataque terrorista de 11 de Setembro de 2001, e as mudanças sociais desencadeadas pelo atentado.

Os Zennials cresceram influenciados pela revolução tecnológica, mas em meio a um clima de insegurança, e com otimismo limitado quanto ao futuro — um reflexo da ameaça de novos atentados, e da chamada ‘guerra ao terror’. O termo não tem uma origem identificada. O mais provável é que tenha surgido em memes, ou fóruns na internet.

Geração Z (1995 a 2010)

É a primeira geração alfabetizada na linguagem digital, familiarizada com as redes sociais, e influenciada pela pulverização da informação e do entretenimento. Por exemplo, na vida dos Zoomers — pessoas da geração Z — a televisão é um meio de comunicação antiquado, e o smartphone é o principal veículo de interação social. Por isso, essa geração também é chamada de iGeneration.

O termo geração Z foi originado a partir do nome dado a gerações anteriores, X e Y. De acordo com o dicionário Merriam-Webster, a expressão foi usada pela primeira vez em 1997. O Pew Research Center, um dos principais institutos de pesquisa americanos, decidiu adotar a nomenclatura depois de fazer um levantamento sobre sua popularidade na internet.

Alpha (2010 a quando mesmo?)

A geração alpha é, na prática, formada pelos filhos dos Millennials. É considerada a primeira que já chegou ao mundo com internet de alta velocidade, redes sociais, serviços de streaming, e todos os dispositivos tecnológicos que viraram sinônimo da cultura digital como a conhecemos atualmente. Para uma pessoa alpha, tudo pode ser obtido por meio do toque em uma tela.

A expressão surgiu em um estudo da empresa de consultoria australiana McCrindle Research sobre as novas gerações. Os consultores perguntaram aos participantes da pesquisa que lhes serviu de base: que nome deveria ter a nova geração depois da Z? O termo ‘Alpha’ foi um dos mais citados. De acordo com o fundador da empresa, Mark McCrindle, a escolha, da primeira letra do alfabeto grego para suceder a última letra do alfabeto latino, se justificava porque os integrantes da novíssima geração — todos ainda crianças — são o começo de um mundo novo, o do século 21.

Fonte: Vitor Pamplona   |   Nexo

 

(JA, Jun21)