Idosos devem protagonizar luta por políticas públicas contra preconceito relacionado à idade

O idadismo é o preconceito relacionado à idade e impacta, sobretudo, a população idosa. O termo é novo, mas não a prática. Basta ver como o mercado de trabalho prioriza os mais novos. A placa indicando prioridade para idosos, um homem curvado apoiado numa bengala, denota a associação clara entre velhice e fragilidade.

Antes velado, o idadismo foi escancarado pela pandemia. Quando ela chegou ao Brasil, houve quem defendesse que, na falta de respiradores, fosse dada preferência a pacientes mais jovens.

Em momentos de escassez, a sociedade faz escolhas indicando seus valores e explicitando seus preconceitos. Mais ainda, 2021 tem sido marcado pela mobilização contra a proposta de inclusão da velhice como doença na Classificação Internacional de Doenças da Organização Mundial da Saúde. Velhice não é doença, mas o idadismo mata.

Organizações e iniciativas dedicadas ao envelhecimento têm se mobilizado para dar visibilidade e debater o idadismo. Uma das ações importantes é o Fórum Internacional da Longevidade, organizado pelo Centro Internacional de Longevidade Brasil, com apoio do setor privado, entre vários outros.

O primeiro webinário deixou claro que o primeiro passo para o combate ao idadismo é a conscientização de que esse é, sim, um problema a ser mitigado. A longo prazo, sociedade civil e poder público, atuando de modo colaborativo, podem contribuir para a construção de políticas públicas, de fato, anti-idadistas.

É preciso também se valer das políticas já existentes, como as inseridas em nosso valioso Estatuto do Idoso. Mas, sem vontade política dos governos e sem mobilização popular, permaneceremos distantes até de direitos já garantidos em lei.

O protagonismo dos idosos em um país com tantas desigualdades pressupõe reconhecer que os processos de vulnerabilização se amplificam ao longo da vida, exigindo políticas públicas de envelhecimento ativo, emancipatórias e participativas.

Vivemos um momento em nossa história em que a inclusão, a diversidade e a representatividade tornaram-se proeminentes nas discussões. O idadismo junta-se ao reconhecimento do racismo, do machismo, do capacitismo, de preconceitos com LGBTQIA+, que permeiam e amplificam a discriminação.

O que deveríamos querer, em qualquer sociedade, é o envelhecer com oportunidades equânimes.

É preciso ser anti-idadistas. Essa construção depende da participação e da militância dos próprios idosos, apoderando-se de seu protagonismo. A voz de mais de 33 milhões de pessoas idosas no Brasil de hoje não tem como ser ignorada. Enquanto os 60+ não ocuparem amplamente seu espaço, o idadismo será reforçado, e pouco usufruiremos da contribuição de tantos milhões para construir redes, e protagonizar avanços políticos para todas as idades.

O 9º Fórum Internacional da Longevidade, sob a temática ‘O futuro’, acontece de forma online todas as quintas-feiras até o dia 9/12, das 17h às 19h. É gratuito e aberto ao público. Para acessar: www.livesbs.com.br ou, posteriormente, no YouTube.

Imagem em Destaque: Ativistas comemoram em 2004 o 1º ano de vigência do Estatuto do Idoso na praça dos Três Poderes, em Brasília (DF)

Fonte: Lilian Liang, Diretora de Redação da revista Aptare e coordenadora de mídia especializada em envelhecimento do Centro Internacional de Longevidade (ILC) no Brasil; Marília Louvison, Professora de políticas de saúde da Faculdade de Saúde Pública da USP e representante do Centro Internacional da Longevidade (ILC) em São Paulo | FSP

 

(JA, Nov21)