Covid-19, meningite, pneumonia e coqueluche são doenças contagiosas, e o risco é aumentado em aglomerações

Com o final do ano, chegam as comemorações de Natal e Ano Novo, momentos em que familiares e amigos costumam se reunir para celebrar. Porém, com a pandemia do novo coronavírus tornando a crescer no Brasil desde o início de novembro, o sinal de alerta aumenta e as precauções precisam ser redobradas.

Uma das lições que o ano de 2020 deixou foi que aglomerações, mesmo que pequenas, podem ser ambientes de transmissão de Covid-19 e outras doenças com formas de contágio similares, tais como meningite, pneumonia, coqueluche e sarampo. Pensando em como as famílias podem aproveitar as festas sem descuidar da saúde, o Dr. Jessé Reis Alves (CRM 71991/SP), infectologista e gerente médico de vacinas da GSK, destacou 6 cuidados importantes.

  1. Prevenção através da vacinação

Muitas doenças infectocontagiosas são preveníveis pela vacinação e o Programa Nacional de Imunizações (PNI) oferta gratuitamente, desde os recém-nascidos até a terceira idade, 19 vacinas que protegem contra mais de 40 doenças.

 Na rede privada estão disponíveis vacinas para a imunização de todas as faixas etárias, complementando o calendário vacinal do PNI. Porém, nos últimos anos, o país vem registrando baixos índices de cobertura vacinal, o que torna a população vulnerável.

Esse cenário foi agravado ainda mais pela pandemia, que também evidenciou uma nova contradição de saúde pública que compromete a qualidade de vida de todos: se por um lado a população anseia pela chegada de uma vacina contra a Covid-19; por outro, ela negligencia todas as outras imunizações que já estão disponíveis.

Dados do PNI apontam que, em 2020, até o décimo mês do ano, nenhuma das vacinas que integram o PNI ultrapassou os 71% do público-alvo imunizado. Esses índices estão bem abaixo da meta de 90% ou 95% de cobertura para cada uma, estabelecida pelo Ministério da Saúde.

‘Vacinar é um ato de proteção para si mesmo, e para quem amamos, pessoas com quem estaremos juntos nas festas de fim de ano. O coronavírus não é a única ameaça atual. Várias outras doenças infectocontagiosas também são perigosas, mas já têm prevenção por vacinas eficazes disponíveis no PNI e na rede privada. É fundamental manter a caderneta de vacinação em dia para minimizar riscos e garantir a proteção’, pontua Dr. Jessé.

Acompanhar a rotina de vacinação é um cuidado não apenas para as crianças, mas para todas as faixas etárias.

 Além de saber quais vacinas tomar, é necessário se atentar para a quantidade de doses em cada fase da vida. Assim, a vacinação cumpre seu papel na saúde pública: mais do que uma proteção individual, seus efeitos são coletivos, beneficiando toda a sociedade. Com a chamada ‘imunidade de rebanho’, quando uma alta porcentagem da população está imunizada, até quem não pode receber algum tipo de vacina se beneficia da proteção.

  1. Evitar abraçar e beijar

Nada mais típico do brasileiro do que ser afetuoso com as pessoas. Porém, é importante lembrar que, ao abraçar, beijar ou até mesmo apertar as mãos, expõe-se ao risco de entrar em contato com vírus, bactérias ou outros agentes infecciosos.

‘Quando beijamos ou abraçamos alguém, ficamos muito próximo de mucosas como boca e nariz, que contém secreções que podem estar infectadas. As mãos são partes do corpo que intuitivamente levamos ao rosto, e têm grande potencial de também estarem contaminadas. Lembrando que nem todas as pessoas que estão doentes, e transmitindo a infecção apresentam sintomas.

Por isso, devemos tomar cuidado em todas as situações. Precisamos ainda nos reeducar a ter um comportamento afetuoso sem contato físico’, explica o Dr. Jessé.

  1. Higienizar as mãos

Hábito que ganhou força este ano, o ato de lavar as mãos parece simples mas foi revolucionário na medicina e na saúde pública. Lavar as mãos é ato reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como um dos principais instrumentos contra epidemias e capaz de evitar casos e óbitos de várias enfermidades.

A lavagem das mãos deve ser feita com água e sabão, por cerca de trinta segundos, sempre que assoar o nariz, tossir ou espirrar, tocar o rosto, tocar outra pessoa, tocar superfícies em ambientes comunitários, depois de usar o banheiro, antes e depois de comer.

 Em situações em que não há como lavar as mãos, o álcool em gel é uma alternativa de desinfetante.

  1. Etiqueta respiratória

Ao tossir ou espirrar, deve-se cobrir nariz e boca com a parte interna do cotovelo, e não com as mãos, para diminuir os riscos de contaminação. Para a higiene nasal, utilize um lenço descartável.

‘É importante, ainda, que quem esteja com sintomas de infecções, como febre, tosse, secreções e dores, se ausente da reunião, e fique em casa para se recuperar. Sabemos que são momentos que todos gostamos de participar, mas a saúde deve ser prioridade diante as comemorações, preservando a si mesmo e às demais pessoas’, recomenda o Dr. Jessé.

  1. Precauções alimentares

Natal e Ano Novo são festas com fartura de comida, quesito em que o cuidado também é essencial. Toda a ceia e utensílios devem permanecer cobertos ou tampados; ao se servir, as pessoas devem usar máscara e luvas descartáveis nas mãos; deve-se lavar as mãos, antes e depois de se servir; e não gerar aglomeração no ambiente onde a comida está. Outra precaução é não compartilhar talheres e copos.

  1. Usar máscara

Mesmo em reuniões mais intimistas, com número reduzido de convidados, como é o recomendado atualmente, é fundamental o uso da máscara. Ao retirá-la, nos momentos de refeição, o item deve ser guardado devidamente, e trocado a cada duas horas.

Cuidados complementares como o distanciamento entre as pessoas, e a boa ventilação do ambiente também são indispensáveis.

 

Fonte: Dr. Jessé Reis Alves (CRM 71991/SP), infectologista e gerente médico de vacinas da GSK

 

(JA, Dez20)