No mês em que se comemora o Dia Internacional da Felicidade, vamos falar sobre a relação entre ganhar dinheiro e ser feliz.

Para começar, a pergunta é: o que é ser feliz para você? Sabemos que a felicidade é relativa. Um indivíduo pode dizer que é feliz estando no topo da carreira, e outro pode dizer que é feliz estando em casa e se dedicando exclusivamente à família. Cientificamente, porém, dizem que a felicidade pode ser enquadrada como uma maneira de continuarmos o processo evolutivo, buscando sempre mais, nunca entrando na zona de conforto.

De acordo com o psicólogo americano Robert Wright, chegar à felicidade é o objetivo de vida de qualquer um nesse planeta. Com isso, as leis que governam a felicidade aumentam as chances de sobrevivência de nossos genes no longo prazo. E o que o dinheiro tem a ver com isso?

Apesar da felicidade ser relativa, há alguns pontos que são de certa forma universais para que uma pessoa se considere feliz. São eles: atingir metas e objetivos, ter relações de grande significado, e ter um bom nível de conforto, saúde e renda.

Felicidade pode não depender de dinheiro em determinados níveis

Dados do World Happiness Report, Nature e Harvard indicam que os países nórdicos estão no topo do ranking da felicidade no mundo. Os estudos consideram 6 fatores: apoio social, ausência de corrupção, expectativa de vida, generosidade, liberdade para escolher a vida, PIB per capita e vida saudável.

Nestes países, serviços como saúde e educação são bons e gratuitos, o nível de criminalidade é baixo, e há muitos direitos sociais, além de um bom equilíbrio entre vida pessoal e trabalho.

De acordo com as análises feitas, o dinheiro tem influência sobre o nível de felicidade de alguém. Especialmente em países onde as condições não são tão favoráveis, ter condições de bancar os pontos importantes mencionados acima pode fazer muita diferença na alegria diária.

Quem é que não vai ser mais feliz tendo condições de se alimentar e morar bem, proporcionar conforto a si mesmo e à família, contar com um bom plano de saúde? E se as políticas públicas do país onde se vive não proporcionam esse tipo de coisa, é preciso ter condições financeiras para tal.

Porém, apesar de ter influência sobre o nível de felicidade, o que se descobriu é que depois que alguém consegue bancar sem problemas as necessidades básicas, como alimentação, saúde e moradia, além de certo conforto, não faz mais tanta diferença a quantidade de dinheiro presente.

Depois de certo nível, dinheiro não faz mais tanta diferença

Alguns estudos, incluindo um relatório de 2010 da Universidade de Princeton, dizem que o valor médio no mundo para alguém chegar ao ápice da felicidade seria de US$ 95 mil anuais (ou cerca de R$ 490 mil, em reais). Já para se conseguir bem-estar emocional, a quantia limite em termos de significância seria de US$ 75 mil anuais (cerca de R$ 380 mil, em reais).

E se considerados apenas os países latino-americanos, o ápice, em termos mensais, seria de US$ 35 mil anuais (cerca de R$ 180 mil ou R$ 15 mil mensais). A partir daí, a quantidade de dinheiro não aumentaria tanto o nível de felicidade de alguém.

Questão não é necessariamente dinheiro

Como se vê, o dinheiro tem relação, sim, com a felicidade, mas não significa que quanto mais dinheiro alguém tem, mais feliz ele se torna. Quem já é rico, dificilmente ficará mais feliz apenas porque ganhou mais dinheiro. Aliás, quantas histórias de milionários entrando em depressão e buscando um sentido para a vida já não apareceram por aí?

Porém, a falta de dinheiro tem relação com a falta de felicidade na vida diária. Não porque causa tristeza diretamente, mas porque deixa as pessoas vulneráveis. É mais complicado ser feliz sem saber que se terá condições de arcar com emergências de saúde, de se alimentar direito ou poder proporcionar educação para os filhos. Ainda assim, sabemos que há muita gente sem dinheiro vivendo com muita alegria. Isso porque a felicidade, como dizem, tem muito a ver com a forma como se encara a vida, mesmo em meio a grandes dificuldades.

Relacionamentos tornam a vida mais rica

Um estudo de Harvard, que vem colhendo percepções sobre o tema há mais de 8 anos, mostra alguns pontos principais relacionados à felicidade, além da questão financeira. O principal deles é a falta de relacionamentos ou a solidão.

Ter amigos, família, e uma boa relação com as pessoas ao redor faz grande diferença no nível de felicidade. É o que ajuda, inclusive, nas fases em que falta dinheiro e sobram problemas. Quem é que não fica melhor tendo um ombro amigo, mesmo que as finanças estejam um caos?

Ou seja, ter dinheiro é importante, mas é preciso considerar que tão importante quanto tê-lo, é estar cercado de pessoas que possam tornar nossos dias de menos solitários, e mais felizes. É ter a quem recorrer, trocar uma palavra, ou um abraço, sempre que for necessário.

Valor da Felicidade  

Um relatório mundial que mediu a felicidade das nações mostrou, ao contrário do que se esperava, que os índices não despencaram durante a pandemia. E a responsável por sustentar boas taxas, mesmo em uma temporada amarga, foi uma mistura de exercício de empatia com benevolência. Ajudar o outro, comprovou o documento, é sentir-se bem. Finlândia, Dinamarca e Islândia ocupam os três primeiros lugares do ranking. O Brasil ficou na 38ª posição

Fonte: Janaina Gimael, jornalista e educadora financeira | Inst. Longevidade MAG

(JA, Mar22)