E que pode acabar custando mais do que você imagina

  • ‘Denise, você é rude!’
  • ‘O que?’
  • ‘Você está falando ao mesmo tempo que ela!’
  • ‘Eu sou?’
  • ‘Sim, você já faz isso há um tempo. Que tal dar ao resto de nós uma chance de conversar?’

Fiquei chocada.

Era humilhante ser repreendida como uma criança, na frente dos outros membros do clube do livro; achei isso terrivelmente injusto. Devido à pandemia, começamos a nos reunir via Zoom, e eu ainda não estava familiarizada com o funcionamento. Atribuí minha incapacidade de saber quando alguém começava a falar, a alguma questão tecnológica.

Furiosa com a forma como essa mulher me atacou, saí do clube, e o esqueci completamente.

As peças começam a cair no lugar

Cerca de um ano depois, eu estava ensaiando uma peça e me divertindo muito. Finalmente, encontrei pessoas com quem tinha afinidade. Eu não tinha feito nenhum amigo nos quatro anos que morava na minha nova cidade, e estava em êxtase por começar.

Ninguém neste grupo achou que eu fosse rude. Então, vadias do clube do livro!

No entanto, comecei a notar algo. Ao final de cada ensaio, os atores se reuniam no palco para anotações do diretor, e discutiam alguns aspectos do espetáculo. Era um grupo animado, e, às vezes, duas ou três conversas aconteciam ao mesmo tempo.

Infelizmente, quando isso aconteceu, me perdi. Não conseguia entender o que os outros estavam dizendo, quando mais de uma pessoa na sala falava. Era como estar em um bar, onde a música é tão alta que você não consegue ouvir o que alguém ao seu lado sussurra em seu ouvido.

Outra coisa que percebi é que, quando um programa de televisão reproduzia música de fundo sobre o diálogo, nem sempre conseguia entender o que estava acontecendo. Então comecei a ativar as legendas, mas não pensei muito nisso até então. Assisto muitos programas britânicos onde os sotaques podem ser difíceis de entender. Muitas pessoas têm esse problema.

Só depois de falar com uma das minhas quatro irmãs mais velhas, é que descobri que uma delas tinha aparelho auditivo. Quando perguntei a ela sobre isso, fiquei sabendo que seus sintomas eram quase idênticos aos meus.

Marquei uma consulta com meu médico para um teste de audição. Na preparação, usei um medicamento, a ser pingado no ouvido, vendido sem prescrição médica, para limpar a cera de minhas orelhas. Pensei que talvez fosse só isso.

No consultório

Quando o médico me examinou, percebeu que ainda havia um pouco de cera em meus ouvidos, e usou uma máquina especial para removê-la. Finalmente, eu estava começando a achar que tudo ficaria bem. O teste de audição, decidi, seria apenas uma formalidade. Quando entrei na cabine de isolamento, no entanto, minha alegre bolha de negação estourou.

Pediram-me para repetir algumas palavras que vinham dos fones de ouvido e, em seguida, levantar a mão sempre que ouvia uma série de bipes. A maioria das palavras conseguia ouvir, embora nem sempre tivesse certeza de que as repetia corretamente. Quanto aos bipes, havia vários momentos nos quais as pausas entre os bipes eram desconfortavelmente longas. Comecei a hiperventilar, só um pouco.

Quando o teste acabou, o técnico me mostrou os resultados. Minha capacidade de ouvir tons mais baixos está perto do normal, mas as frequências mais altas representam um problema. Isso explica por que não tenho problemas para entender o que meu marido, com a voz de barítono, está dizendo, mas as vozes das mulheres, em particular, são mais desafiadoras.

Quando conversei com o médico sobre os resultados, ele me disse que minha perda auditiva era significativa. Eu fiquei chocada. Ele me preparou para uma sessão educacional, onde eu aprenderia várias opções para corrigir minha audição. Eu irei para isso em algumas semanas.

Enfrentando fatos

Novo! Ouvidos de rádio para surdos

Não aceitei bem.

Fui para casa, fiquei bêbada, e chorei muito.

Lembrei-me das caixas feias e de baixa tecnologia, que penduravam no pescoço de pessoas com deficiência auditiva na minha juventude. Pensei em quantas piadas eu já tinha ouvido sobre pessoas mais velhas ficarem surdas. Eles foram feitos para parecer ridículos.

Lembrei-me de minha própria frustração ao me conscientizar de que, à medida em que eu crescia, estava acontecendo comigo o mesmo que aconteceu com a minha avó, e depois com o meu pai. Eu não queria ser uma pessoa como eles, velhos fósseis tivermos que aprender a aguentar.

Mas eu também sabia que adiar fazer algo a respeito, não era a resposta.

Aqui estão algumas estatísticas do Instituto Nacional de Surdez e Outros Distúrbios da Comunicação:

  • A idade é o fator mais forte para perda auditiva, entre adultos de 20 a 69 anos, sendo que a maior perda auditiva ocorre na faixa de 60 a 69
  • Entre os adultos de 20 a 69 anos, os homens têm quase duas vezes mais probabilidade do que as mulheres de apresentar perda auditiva.
  • Quase 25% das pessoas com idade entre 65 e 74 anos, e 50% das pessoas com 75 anos ou mais, têm perda auditiva incapacitante.
  • Cerca de 28,8 milhões de adultos norte-americanos poderiam se beneficiar com o uso de aparelhos auditivos.

E ainda…

  • Entre os adultos com 70 anos ou mais com perda auditiva, que poderiam se beneficiar de aparelhos auditivos, menos de um em cada três (30 por cento) já os usou. Ainda menos adultos com idade entre 20 e 69 (aproximadamente 16 por cento) que poderiam se beneficiar com o uso de aparelhos auditivos o fazem.

Por que agir cedo é tão importante

Ninguém pensa muito sobre o Medicare (*) até ter que se inscrever. Eu tenho 63 anos, então, embora eu quisesse, ainda não fiz muitas pesquisas sobre quais benefícios posso esperar do Medicare.  Felizmente, minha irmã me deu uma pista sobre um fato significativo: o Medicare não cobre aparelhos auditivos. Portanto, se você está esperando que o Medicare pague a conta, ficará desapontado.

Atualmente, estou no excelente plano de seguro saúde, que é um dos benefícios do emprego do meu marido, mas surpreendentemente, poucos planos de seguro médico cobrem aparelhos auditivos, e o nosso não é exceção. Podemos, no entanto, colocar dinheiro de lado em uma conta de gastos diversos. Isso me dará $ 2.750 em dólares, antes dos impostos para auxiliares, baterias e manutenção.

Nota: Alguns funcionários federais e veteranos, e residentes de Arkansas, Connecticut, New Hampshire e Rhode Island, podem ter direito à cobertura para aparelhos auditivos.

De acordo com o Consumer Reports, ‘há evidências de que a perda auditiva não tratada é um problema de saúde nacional significativo, e estudos a relacionaram a outros problemas graves de saúde, incluindo depressão, declínio na memória e concentração, e talvez até demência’.

Pontos a considerar

Ouça a alegria da vida

  • A maioria das pessoas com perda auditiva necessitam de dois aparelhos auditivos, um para cada ouvido. Infelizmente, cada um deles pode custar milhares de dólares. Portanto, é melhor presumir que você precisará deles em algum momento, e planejar isso como parte de seu orçamento de aposentadoria.
  • A perda auditiva pode afetar significativamente sua qualidade de vida. Também pode, como no meu caso, causar problemas em situações sociais.
  • Uma vez que sua audição está danificada, você não pode repará-la, mas sempre pode piorar. Portanto, proteja-se evitando ruídos altos. Tampões de ouvido, ou fones de ouvido com cancelamento de ruído, podem ser necessários em situações extremas.
  • Nossos cinco sentidos são essenciais para o contato e integração com o mundo que nos rodeia. A maioria das pessoas não pensaria em se privar dos benefícios dos óculos ou lentes de contato, se precisassem deles. Os aparelhos auditivos são tão importantes como.
  • Não importa sua idade, aconselho você a fazer um teste de audição assim que tiver a menor sugestão de que algo pode estar errado. Lembre-se de que sua situação financeira pode tornar mais difícil comprar aparelhos auditivos, uma vez que você tem uma renda fixa. Então, não espere.

 

 

O presidente Biden assinou recentemente uma ordem executiva com o objetivo de reduzir o custo de aparelhos auditivos.

Depois de resolver minha situação, vou relatar minha experiência de ajuste ao meu novo normal. Fique atento!

 

 

(*) Medicare é o sistema de seguros de saúde gerido pelo governo dos Estados Unidos da América, destinado às pessoas de idade, igual ou maior que 65 anos, ou que atendam a certos critérios de rendimento. A primeira lei que colocou em prática o Medicare foi votada em 1965, como adição à legislação da segurança social dos EUA.

 

Fonte: Denise Shelton | Medium

 

(JA, Ago21)