A vacinação de rotina deve ser mantida, mesmo em tempos de pandemia

Segundo pesquisa, 57% dos pais brasileiros desistiram ou adiaram algum compromisso ou consulta de saúde dos filhos durante a pandemia de Covid-19

O momento de pandemia em que estamos vivendo traz luz à enorme importância da vacinação para o controle de doenças infecciosas. Apesar disso, nos últimos anos, temos observado uma queda nas taxas de coberturas vacinal. Com as coberturas abaixo do esperado, doenças controladas podem voltar a circular na população. Em 2019, o Brasil atravessou um surto de sarampo, com mais de 18 mil casos.

No dia 9 de junho comemora-se o Dia Nacional da Imunização. Nesta data, devemos valorizar ainda mais essa intervenção de saúde que salva milhões de vidas anualmente. O Dr. Emerson Mesquita (CRM 5281409-1), infectologista e gerente médico de vacinas da GSK, esclarece que a vacinação é um serviço essencial, e deve ser mantido, mesmo em tempos de pandemia, especialmente para grupos mais vulneráveis, como crianças e idosos.

‘Estamos, atualmente, com campanhas de vacinação contra gripe e contra Covid-19, para grupos prioritários, acontecendo em todo o país. Precisamos também lembrar a importância de mantermos altas coberturas vacinais para as outras doenças contra as quais já dispomos de vacinas, como meningite, coqueluche, sarampo, e pneumonia, por exemplo. Interromper a vacinação de rotina, mesmo que por um breve período, como aconteceu com muitos países durante a pandemia de Covid-19, pode permitir surtos de doenças que estavam controladas, além de aumentar a sobrecarga sobre o sistema de saúde’, alerta o Dr. Emerson.

O Ministério da Saúde disponibiliza gratuitamente 19 vacinas, que protegem contra mais de 20 doenças, para diversas faixas etárias, desde recém-nascidos até a terceira idade. Na rede privada também estão disponíveis vacinas para a imunização de todas as faixas etárias, complementando o calendário vacinal do Programa Nacional de Imunizações (PNI).

Baixa cobertura vacinal na pandemia

Uma pesquisa realizada entre 19 de janeiro a 16 de fevereiro de 2021 pela IPSOS Mori e encomendada pela farmacêutica GSK, com 501 pais ou responsáveis legais no Brasil, mostrou que, aproximadamente 57% deles, desistiram ou adiaram algum compromisso, ou consulta, de saúde dos filhos durante a pandemia.

Quando se trata especificamente de vacinação contra meningite meningocócica, 50% faltaram ou atrasaram alguma dose do esquema vacinal. O motivo, segundo 72% dos pais brasileiros, seriam as medidas restritivas da pandemia.

‘Esses dados acendem um alerta, pois essas crianças estão voltando a frequentar creches e escolas, e a ter contato com outras pessoas no dia a dia. Com o calendário vacinal incompleto, elas têm um maior risco de contrair doenças imunopreveníveis e, por isso, lembramos aos pais a importância de manter o calendário de vacinação dos seus filhos atualizado, incluindo as doses de reforço’, comenta o Dr. Emerson.

Além das crianças, os adolescentes também devem se vacinar. Adolescentes e adultos são os principais carreadores da bactéria que causa a meningite meningocócica, podendo transmiti-la para outras pessoas através da tosse, espirro ou da fala, mesmo sem estarem com sintomas da doença.

O Ministério da Saúde orienta a vacinação das crianças e dos adolescentes de acordo com o calendário do PNI e todas as vacinas recomendadas estão disponíveis gratuitamente nos postos de saúde pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Essas vacinas oferecem proteção para diversas doenças como poliomielite, coqueluche, hepatite, tuberculose, pneumonia, meningite, febre amarela, sarampo, gripe, HPV, entre outras.

Já a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) e a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) possuem calendários de vacinação com recomendações que complementam o PNI, abrangendo também vacinas que atualmente só estão disponíveis na rede privada para a imunização das crianças até a terceira idade.

Adultos também devem se vacinar

Para cada fase da vida, incluindo a idade adulta, existem vacinas recomendadas. ‘Os benefícios da vacinação se estendem para além da infância, contribuindo, inclusive, para um envelhecimento saudável e para a qualidade de vida de adultos e idosos.

Além das recomendações por faixa etária, a presença de algumas doenças crônicas também influencia a programação vacinal. Para estes indivíduos e para seus contactantes próximos, os Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIEs), do Ministério da Saúde (MS), disponibilizam vacinas previstas no manual dos CRIEs, ampliando a proteção nessas populações.

Finalmente, devemos também lembrar da vacinação do viajante, que leva em consideração não só o histórico vacinal do indivíduo como também o risco de doenças infecciosas a que este viajante ficará exposto no local de destino’, explica o Dr. Emerson.

O calendário de vacinação do adulto do Ministério da Saúde prevê seis vacinas:

  • Hepatite B; dT (difteria e tétano);
  • Febre Amarela; Influenza (contra gripe) para grupos prioritários;
  • Sarampo, Caxumba, e Rubéola para adultos até 49 anos de idade; e
  • Pneumocócica para pessoas a partir de 60 anos com condições clínicas especiais.

Na rede privada, é possível expandir a proteção com vacinas não disponíveis na rede pública.

Outra condição especial onde a vacinação é segura e eficaz é durante a gestação. No Brasil, o calendário do Ministério da Saúde recomenda a vacinação com dTpa, que previne contra difteria, tétano e coqueluche; a dT que imuniza contra difteria e tétano; a vacina contra Hepatite B; e a vacina contra Influenza (gripe). Todas são oferecidas gratuitamente nos postos de saúde municipais, pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI), do Ministério da Saúde, e podem ser encontradas na rede privada de vacinação.

‘A gestação também é momento de vacinação. Além de seguras, as vacinas recomendadas durante a gestação atuam tanto na proteção da mãe como na proteção do bebê. Essa medida é tão importante que, por exemplo, em 2017 o Brasil foi capaz de eliminar o tétano materno e neonatal.

Durante a gestação, os anticorpos produzidos pela mãe com a vacinação são transferidos para o bebê, através da placenta. Essa proteção transmitida para o bebê ainda em desenvolvimento é especialmente importante nos primeiros meses de vida do recém-nascido, quando a vacinação contra algumas doenças, como a coqueluche por exemplo, ainda não começou. Por este motivo, a vacinação contra coqueluche está recomendada a cada gestação.

Além da vacinação contra difteria, tétano e coqueluche, a vacinação contra influenza (gripe) também é recomendada durante a gestação, onde o risco de evolução para formas graves da doença está aumentado. Outros imunizantes, além das vacinas contra difteria, tétano, coqueluche, influenza (gripe) e hepatite B, podem ser recomendados, de acordo com o histórico de saúde da gestante’, explica Dr. Emerson.

Fonte: Dr. Emerson Mesquita (CRM 5281409-1), infectologista e gerente médico de vacinas da GSK | Camila Curvelo, In Press Porter Novelli

 

(JA, Jun21)