Sim, eles estão envelhecendo. Uma pesquisa do Ibope feita a pedido da fabricante de ração Mars com 600 pessoas que têm cães e gatos mostra que 26% desses animais têm mais de sete anos –um universo que, segundo estimativas, cresceu um ponto percentual ao ano na última década.

O aumento da expectativa da vida resulta dos avanços da medicina, somados à disseminação do conceito de posse responsável, segundo o qual todo o bicho deve andar na coleira, ser castrado, vacinado, vermifugado e bem alimentado.

Reduzimos, assim, a frequência de mortes bestas e precoces por atropelamentos, doenças infecciosas e déficits nutricionais, por exemplo. E agora?

Agora estamos diante de uma população que, a exemplo de humanos na terceira idade, requer cuidados especiais. Porque envelhecer significa perder lenta e progressivamente a função de cada uma (e de todas) as células do organismo.

E ninguém está falando de doença, mas sim de um processo esperado e gradual, que é tão normal como passar da infância à vida adulta.

A questão é que mudamos os cuidados com nossos pets quando eles deixam de ser filhotes, mas nem sempre lembramos de fazer o mesmo quando se tornam velhinhos.

Uma pesquisa da mesma fabricante, essa feita com 6.298 responsáveis por cães e gatos, mostra que 42% das pessoas não alteram a dieta dos animais na velhice, mesmo fora do Brasil. Aqui, o número deve ser ainda maior.

Enquanto isso, a partir dos sete anos, as células intestinais de cães e gatos já não absorvem os nutrientes do mesmo jeito e não abastecem como deveriam as células cardíacas -que já não têm a mesma força-, as células de defesa -que não demonstram a mesma eficácia-, e assim por diante. É o círculo vicioso da velhice.

E, antes que comece a gritaria, não se trata de fazer propaganda de ração. Mude a dieta caseira, a dieta crua, a dieta que você tiver escolhido. Mas mude -sob orientação, claro-!  Porque seu animal mudou.

 

Texto: Sílvia Corrêa   |   Rev. FSP

 

(JA, Nov17)