Até hoje, os benefícios da natação à saúde mais conhecidos por médicos e pacientes eram em relação à circulação sanguínea e a distúrbios respiratórios, como asma e bronquite. Mas o que muita gente ainda não sabe é que este esporte também melhora – e muito! – o funcionamento do cérebro e a recuperação de suas células danificadas.

Um estudo publicado pelos pesquisadores Vishal Madaan e Frederick D. Petty, da Universidade de Nebraska Ashish Sharma, na revista National Center for Biotechnology Information, mostra que a natação deixa o cérebro mais saudável e ajuda a produzir benefícios nos neurotransmissores, melhorando a conservação da memória, as funções cognitivas e a coordenação motora. Também ajuda a aliviar sintomas de ansiedade.

Segundo os especialistas, isso acontece porque, ao melhorar a circulação sanguínea no cérebro e seus efeitos sobre o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, conjunto de glândulas responsável pelo controle das ações emocionais, a natação aumenta o fluxo de sangue, ajudando a melhorar a memória, o humor, a clareza e o foco.

Pausa… sobre o que estávamos falando mesmo? Ah, sim! Está comprovado que a natação reduz o processo de perda de memória em pessoas com mais de 60 anos e aumenta a capacidade de aprendizagem, diminuindo também as chances de demência.

Ginástica para o cérebro

Assim como outros exercícios, a natação libera endorfina, que ajuda na gestão do estresse e da ansiedade, aliviando tensões e combatendo alguns sintomas depressivos. Também ajuda a impedir a entrada de estímulos externos, aumentando a concentração.

Além de tudo, é considerada uma ótima forma de exercício de baixo impacto. Sua prática permite que toda a musculatura das regiões do braço, peito, costas, ombros e pernas sejam trabalhadas. Os variados estilos de nado treinam músculos diferentes em movimentos repetitivos. Esses exercícios podem, inclusive, auxiliar na recuperação de lesões.

‘Quanto mais exercícios regulares um idoso pratica, mais irrigado se torna o seu cérebro e mais neurônios são produzidos’

Outro estudo, realizado em 2007, descobriu que este esporte produz um efeito antidepressivo em ratos. Os roedores participaram de um teste de natação para determinar a quantidade de tempo que passam imóveis na água e o tempo que passam nadando. Os ratos preguiçosos passaram muito mais tempo na natação ativa em comparação com os ratos deprimidos. Além disso, os roedores que praticavam a atividade eram menos propensos a apresentar sintomas depressivos após 30 dias.

A cardiologista Angélica Bösiger, do Hospital Federal dos Servidores do Estado (HFSE), explica que o cérebro está exposto a uma atividade inflamatória intensa ao longo de toda a vida, por isso, quanto mais exercícios se faz, menores serão as chances de inflamações e de doenças.

‘Exercício é sempre muito bom. Quando bem feito, é bom para o corpo, para o cérebro, para crianças, adultos e idosos. Quanto mais exercícios regulares um idoso pratica, mais irrigado se torna o seu cérebro e mais neurônios são produzidos’, afirma Angélica. Ela conta que, antigamente, acreditava-se que os neurônios eram formados apenas no início da vida. ‘Hoje sabemos que os neurônios vão se formando ao longo da vida. Além disso, algumas proteínas importantes para função cerebral são produzidas em maior quantidade quando a gente faz exercícios’, destaca.

Angélica também destaca o aumento da autoestima como importante benefício da natação. ‘O idoso que pratica natação e se exercita todos os dias, sabe que é capaz. Ele se sente mais forte e confiante’, conclui.

 

Texto: Instituto Mongeral Aegon

 

(JA, Jan18)