Depoimento da fundadora, Conceição Moreira, Regente do Grupo de Vozes Vem Cantar com a Gente, para o Terceira Idade Conectada – TIC

“Meu nome é Conceição Moreira, sou formada em Música e Direito. Moro em Goiânia, onde, especialmente no meu bairro, há muitos idosos. Há quatro anos, voluntariamente, formei esse grupo com pessoas entre 50 e 60 anos, para oferecer Educação Musical através do canto, sob a forma de um grupo de vozes. Inicialmente, era para quem tivesse 50 e 60 anos. Entretanto, hoje, a maioria tem mais de 60 anos, sendo que um dos participantes tem 86 anos.

Encontramo-nos semanalmente em minha residência, para duas horas de ensaio. Iniciamos na  ‘Casa de Cultura’ aqui da cidade, onde eu tinha parceria para dar aulas de piano. Dois anos depois, com o crescimento do grupo, a intenção de aumentar o número de atividades oferecidas, e pelo fato da direção da casa não ter interesse na nossa permanência no local -ocupávamos o espaço sem dar nenhuma retribuição  financeira-, passamos a nos reunir na casa de uma das integrantes e, atualmente, na minha residência.

Com 11 integrantes fixas e assíduas, nosso limite atual é de 15, pois fazemos as atividades de acordo com a minha possibilidade, sem nenhum tipo de apoio formal, institucional ou do gênero, e com uma contribuição simbólica, oferecida por elas, de R$ 10,00 por mês. Como elas são de um nível financeiro mediano, as atividades extras como passeios, exibição de filmes, apresentação em outro local, são realizadas com a colaboração espontânea por parte delas e, quando há necessidade, complemento pessoalmente.

Nosso repertório é composto por músicas populares brasileiras de qualidade (Tom Jobim, Vinícius de Moraes, Toquinho, Chico Buarque, e outros), assim como pelas que resgatam a infância, juventude, cultura e diversidade de cada uma, como cantigas de roda, trava línguas cantados. Tenho como princípio colocar no repertório músicas que falem de alegria, vida, amor e auto estima. Não cantamos músicas de vertente religiosa ou sertanejo universitário, pois não quis que o grupo tivesse um perfil religioso, nem que as músicas cantadas fossem aquelas do cotidiano massificante. Acredito que, como Educadora Musical, esteja ali para ampliar os horizontes musicais de cada uma delas, e também aprender com as mesmas. Somente nas confraternizações de aniversário que realizamos todos os meses, é que elas, a pedido, cantam uma ou duas músicas do primeiro perfil (religiosa) -mesmo assim, desde que sejam ecumênicas.

Fizemos apenas duas apresentações até agora, porque parte dos integrantes têm problemas respiratórios, ou outros problemas -tanto de saúde como de outros tipos. Em decorrência, a formação do repertório inicial, demandou um tempo mais extenso.

Realizo registros de todas os nossos encontros cantados semanalmente, e criei um grupo de WhatsApp – onde a maior parte participa ativamente. As que não têm esse tipo de comunicação -ou por opção ou por não conseguirem manipular celulares-, recebem do mesmo modo as informações via telefone ou por e-mail de parentes ou de amigos que mostram a elas.

Além disso, em nossos ensaios, quando consigo organizar -pois também tenho outros tipos de atividade-, mostro ao grupo, via PowerPoint, as fotos, vídeos, etc…

Estou organizando agora um ‘Caderno de Receitas’ do grupo -já que todos os ensaios terminam com um lanchinho, ocasião em que degustamos os pratos levados por cada uma. Como elas são de diversas regiões do Brasil, fizemos uma coletânea das receitas, levadas por elas mesmas. O Caderno é simples, pois,  a princípio, é só para nós mesmas. Entretanto, até o final do ano, pretendo mandar à uma editora para ser formatado como um livro.  A ideia é que esse ‘Caderno de Receitas’ fique como registro da atividade delas para as famílias, e para a própria auto estima de cada uma.

Enfim, falei demais (rsrsrs). Mas acredito que foi necessário, para dar um panorama do que é feito aqui em Goiânia nessa área. Sou originária do interior de São Paulo, mas estou aqui já há mais de 10 anos (meu esposo é goiano). Senti necessidade de fazer o que faço porque, de um lado, acredito na educação em geral e, no meu caso, da educação musical para adultos, especialmente para os da terceira idade. De outro, pessoas dessa faixa etária têm disponibilidade de tempo, e vontade ou necessidade de interagir socialmente com outras pessoas que vivem o mesmo tipo de realidade. Assim, conseguimos montar um grupo harmonioso, coeso, alegre e musical.

Estou também criando uma página no Facebook. Acredito que nos próximos dias já estará on-line.”

 

(JA, Jun17)