Sistema que utiliza robô e sensores acompanha todas as atividades do utilizador e consegue fazer a recolha de dados médicos.

É italiana, tem 94 anos, e recusou-se a trocar a sua casa em Roma por um lar. Demasiado ocupada a escrever livros, a alimentar um blogue e a realizar tarefas domésticas, Lea Mina Ralli não é muito diferente de outros idosos. Os filhos moram longe, tem necessidades sociais e médicas, mas insiste na sua independência. E conseguiu o que queria e o responsável é Mr. Robin, como carinhosamente trata o robô que passa 24 horas consigo desde Dezembro. A avó Lea, como gosta de ser chamada, é uma das seis pessoas que têm este tipo de assistência, ainda numa fase de testes.

Em Dezembro do ano passado, Lea escreveu pela primeira vez no seu blogue sobre Mr. Robin, um dos exemplares do projeto GiraffPlus, destinado à terceira idade, e liderado por investigadores da Universidade de Örebro, na Suécia. O projeto é financiado pela Comissão Europeia e já recebeu 3 milhões de euros em apoios. Conta ainda com o apoio de grupos de investigadores de vários países, empresas e serviços nacionais de saúde.
Entusiasmada com a nova presença, que Lea diz parecer-se com “um novo modelo da árvore de Natal”, a italiana passou a ter uma espécie de assistente pessoal que reage através da informação que recebe de sensores espalhados pela casa da idosa e têm um monitor que promove a interação social com a utilizadora. Através dos sensores, o robô Giraff detecta todo o tipo de atividades de Lea, como cozinhar, dormir ou ver televisão, e monitoriza a sua saúde, através da leitura da pressão sanguínea, dos níveis de açúcar ou de oxigênio no sangue. Os dados recolhidos ficam disponíveis através de um software que pode ser acedido através de um interface no computador pessoal do utilizador. O aparelho permite ainda que a família e amigos acompanhem Lea e falem com ela através de um sistema semelhante ao Skype e lançar alertas em caso de acidente ou saúde.

“As pessoas perguntam-me porque não vou viver com a minha filha. Mas ela tem netos e muitas responsabilidades. Com este valioso assistente, a que chamo Mr. Robin, estou mais descansada nos próximos anos e os meus filhos e netos também”, conta Lea.
A italiana é uma das duas pessoas em Itália a ter este sistema e um das seis no mundo. Dois outros idosos têm o robô em Espanha e dois Giraff estão em funcionamento na Suécia.

O robô ainda não está a ser comercializado, o que só deverá acontecer no próximo ano. Para já, e até ao final de 2014, a GiraffPlus prevê ter um total de 15 robôs a funcionar nos três países. “Estamos neste momento a meio das avaliações mas confirmamos que vários aspectos do sistema são apreciados de forma diferente pelos utilizadores. Isso mostra que apenas uma abordagem à tecnologia não é necessariamente o melhor e que a tecnologia deve ser adaptável e customizada ao que os utilizadores precisam”, afirmou a coordenadora do projeto na Universidade de Örebro, Amy Loutfi, em comunicado.

A Comissão Europeia apoia novas tecnologias que permitam à terceira idade “viver de forma independente”. Num comunicado divulgado esta terça-feira, a vice-presidente da Comissão Europeia e responsável pela Digital Agenda, Neelie Kroes, voltou a defender esta posição”. Todos queremos saber que não iremos perder a nossa dignidade, respeito e independência quando envelhecermos. A União Europeia está a investir em novas tecnologias que possam apoiar a ‘geração prata’, adicionando não apenas anos à nossa vida mas também vida aos nossos anos”.
Estima-se que o mercado europeu para robôs e outros aparelhos semelhantes destinados a prestar assistência a idosos atinja os 13 mil milhões de euros em 2016.

FONTE: www.publico.pt